Chimarrão ou erva-mate?

 

A cultura do chimarrão, ao contrário do que muitos pensam, vai além das fronteiras do Rio Grande do Sul. A erva-mate, cujo nome científico é Ilex Paraguariensis, é popularmente chamada de chimarrão pelos gaúchos e os sulistas, em geral, e também faz parte da cultura mato-grossense, no centro-oeste do País.

Algumas lendas indígenas relatam sobre as origens desta bebida amarga, carregada de propriedades medicinais importantes. A lenda mais conhecida e difundida entre os adeptos do chimarrão reza que um velho índio guarany, cansado de tanto migrar em busca de terras férteis para a plantação da mandioca e do milho, preferiu ficar em sua tapera, enquanto o restante da tribo partia para novas terras, a fim de realizar novos plantios. Então, sua filha mais nova, a bela Jary, ficou num grande dilema: partir com os jovens moços de sua tribo ou permanecer solitária, fazendo companhia ao velho pai, até que a morte viesse buscá-lo? Como filha devotada, Jary decidiu permanecer ao lado do pai.

Certo dia, um determinado pajé aproximou-se da jovem Jary, perguntando-lhe o que ela queria para se sentir feliz. A moça não pediu nada, ao contrário do pai, que solicitou força suficiente para que pudesse levar a jovem ao encontro de sua tribo, que havia partido. Sendo assim, o pajé entregou ao velho índio uma planta muito verde e perfumada, e pediu-lhe que a plantasse, colhesse suas folhas, secasse-as ao fogo e triturasse-as, a fim de colocá-las em um porongo. Após acrescentar água quente (chimarrão) ou fria (terere) à tal erva, o velho índio deveria sorvê-la. O pajé, então, disse: “terás nessa bebida uma companhia saudável, mesmo nas horas de grande tristeza e solidão”. E assim partiu.

De posse daquela bebida revigorante, o velho índio ganhou forças para seguir adiante com a jovem Jary, para se juntar aos companheiros da tribo. O hábito do ancião acabou sendo adotado por toda a tribo, com o intuito de ganharem força e coragem, além de uma companhia, mesmo em momentos solitários.

Lendas e histórias a parte, o fato é que a erva-mate se tornou um símbolo da cultura do sul do Brasil, estendendo-se também pela região central do País, como nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde é chamada apenas de mate.

As atribuições da erva-mate vão além da companhia que podem proporcionar. Prova disso são as comprovações científicas de suas propriedades medicinais, extremamente benéficas ao organismo. Funciona como energizante, fortificante, por ser rica em sais minerais (cálcio, ferro, magnésio, sódio, potássio) e em vitaminas B, C, D e E. Atua como vaso-dilatadora, reduzindo a pressão arterial, e tônico cardíaco. Funciona, ainda, como auxiliar na defesa do sistema imunológico. O uso constante da erva-mate combate a anemia, a depressão, o diabetes e aumenta a capacidade respiratória.

Um pouco de históriaLúcia Porto, em sua matéria “Cuia de cristal ameaça a tradição”, publicada no Jornal Zero Hora, Porto Alegre, RS, relata o seguinte sobre a difusão do chimarrão: “soldados espanhóis, que haviam ‘capturado’ os conhecimentos das civilizações Maia e Azteca, no México, chegaram à foz do Rio Paraguay, em 1536, fundando a primeira cidade da América Latina, Assunción del Paraguay. Os desbravadores, nômades por natureza, com saudades de casa e longe de suas mulheres, estavam acostumados a grandes borracheras – porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda. No dia seguinte, acordavam com uma ressaca proporcional. Os soldados observaram que, tomando o estranho chá de ervas, utilizado pelos índios guarany, o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo. Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande na garupa dos soldados espanhóis”.

 

A origem do nome MATE

A palavra mati (mate, usada preferencialmente pelos espanhóis) tem sua origem na língua indígena quíchua, e designa o termo cuia, que veio substituir o termo cayguá, usado pelos índios guaranys. Caá (erva), y (água), guá (recipiente). Literalmente, cayguá significa recipiente para a água da erva.

A classificação botânica da erva-mate (Ilex Paraguariensis) se deve ao naturalista francês Auguste de Saint’Hilaire que, em 1823, após seu retorno das Américas, apresentou um longo relatório sobre sua descoberta à Academia de Ciências francesa.

Tomar um chima ou matearSeja no sul, no centro, ou em qualquer canto do Brasil e do mundo, beber um chima ou matear, sozinho ou acompanhado, vai bem a qualquer hora do dia ou da noite, ainda mais se esta última estiver convidativa a uma roda de chima sob a luz do luar, o calor da fogueira e a companhia de muita música e longas e deliciosas prosas.

 

Para saber mais sobre a cultura do chimarrão, acesse www.paginadogaucho.com.br ou www.chimarrao.com.br

5 Respostas para “Chimarrão ou erva-mate?”

  1. Bruna Disse:

    eu amo chimarrão!vivo tomando essa coisa linda!to visiada………..te amo chimas

  2. Joana Queiróz Disse:

    Bom, eu adorei o site!
    Eu tenho de fazer um trabalho de escola sobre chimarrão
    e incontrei tudo qeuprecizava
    Esse site é 10!
    ATT: Joana

  3. Nelson Ortácio Disse:

    Moro em Novo Hamburgo-Rs. Mateio diariamente no mínimo duas vezes por dia, gosto muito da erva mate, ROSA MATE, e em minha cudade não tem, gostaria de saber: se tem ditribuidor em Novo Hamburgo, ou na região, quem são, meio de contacta-los.
    Se puderem me ajudar, ficarei eternamente agradecido
    Nelson Ortácio

  4. sandra40 Disse:

    Nelson, pessoalmente não conheço esse tipo de erva mate que você aprecia, e nunca vi essa rosa mate nas lojas de São Paulo. Talvez, você possa pesquisar na internet, no site Página do Gaúcho, o qual indiquei o link no final do artigo. Encontrei esta explicação, a seguir, no site http://www.chimarrao.com, sobre os tipos de erva mate.
    “Assim como existe a laranja de umbigo, a laranja comum, a laranja do céu, a bergamota e o limão, todas frutas tão diferentes, mas pertencendo ao gênero cítrus, também ocorre em relação à erva-mate. Ela faz parte do gênero Ilex do qual existem de 550 a 660 espécies, segundo o professor Renato Kaspary, mestre em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na sua casa em Mato Leitão/RS, ele recebe a equipe do Anuário com um chimarrão feito a preceito e com a adição de alguns chás medicinais de bom gosto, para falar dessa planta à qual dedicou sua tese de mestrado “Efeitos de diferentes graus de sombreamento sobre o desenvolvimento de plantas jovens de erva-mate”, defendida em 1985.

    Ele revela que, apesar de haver tantas espécies do gênero Ilex, distribuídas nas zonas temperadas e subtropicais do mundo inteiro, tendo como centro de dispersão a América do Sul, cerca de 150 a 170 delas ocorrem no Brasil e apenas 10 no Rio Grande do Sul. Destas, somente três são espécies erváveis, isto é, prestam-se à produção de chimarrão: Ilex angustifolia, que seria a erva-mate Periquita, existente na região de Sarandi/Erechim; Ilex amara, a erva-mate crioula e, como o nome indica, um pouco mais amarga que as outras duas, e a Ilex paraguariensis St. Hil., também conhecida como erva-mate Argentina, que é a mais cultivada pelo Brasil afora, no Paraguai e na Argentina.

    Afinal, por que conhecer tantos detalhes sobre esta cultura? É que só a diferenciação entre as espécies poderá detectar as adulterações nos produtos comerciais à base de folhas e ramos de erva-mate. E sabe-se que essas adulterações existem e que são muito semelhantes às folhas das diversas espécies de Ilex existentes.

    Além do gênero Ilex, existem outros dois da família das Aquifoliaceae, à qual pertence a erva-mate: o gênero Byronia, com três espécies, encontradas na Austrália e Ilhas Polinésias, e gênero Neniopanthus, com uma espécie na região nordeste dos Estados Unidos. Essa é uma pequena identificação dessa planta, descrita pelo professor Renato Kaspary como “lindíssima, apaixonante, maravilhosa e invulgar.” Ele diz que ela só ocupará o seu verdadeiro lugar quando for estudada em todas as etapas de seu desenvolvimento. Certamente os que a conhecerem melhor e não só pelo chimarrão hão de concordar com ele.”

    Fonte: Anuário Gazeta

    Sugiro que você pesquise nos sites das empresas produtoras de erva mate, como Barão de Cotegipe (a qual aprecio muito)e Cristalina (que eu costumava beber também). Espero tê-lo ajudado de alguma forma.
    Obrigada pela visita.
    Abraços
    Sandra

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